Um dia,duas histórias de tenistas fora do comum.

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Foi assim: fui fazer uma entrevista com o Wilson Mendes Caldeira (matéria já publicada no blog) sobre Parkinson e Tênis, no Clube Pinheiros, em São Paulo.

Sabe aqueles dias em que nada funciona? Pois é, não me dei conta que minha câmera de vídeo estava com o cartão de memória cheio. Nós dois ficamos sentados e eu, desolada, sem saber o que fazer. E não é que o Eduardo passa na nossa frente e o Wilson grita: este cara tem uma história de superação  melhor do que a minha! Até aquele momento, só me interessava  filmar o Wilson, não imaginava que teria, no mesmo dia, mais uma história surpreendente para ouvir. Gentilmente, Eduardo, ficou uns 10 minutos segurando o celular, filmando minha conversa com Wilson. E ainda por cima, sem poder tremer e nem  piscar !rs

Depois de agradecer a sua generosidade em ter nos filmado, resolvi saber qual era  a sua história de vida e foi aí que fiquei de boca aberta!!!!

 

Veja a carta que o Eduardo escreveu para o Bem Sacado:

Comecei a jogar tênis aos 7 anos, influenciado pelos meus pais que eram praticantes já há algum tempo.

Iniciei o aprendizado  no Clube Círculo Militar de SP e, não demorou muito e lá estava eu  disputando os primeiros torneios: interclubes, torneios abertos e brasileiro.

Foram 3 anos de treino forte  e muitas novas amizades, através do esporte pelo qual me apaixonei.

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Em  agosto de 1973, no entanto, ocorreu  um fato que mudou, drasticamente, a minha vida: durante uma  experiência  que estava realizando em casa, a mando da escola, com enxofre e álcool, fui, seriamente, ferido após a explosão dos mesmos e tive 60% do meu corpo queimado.

Resumindo: foram 12 meses de internação, muito desse tempo em estado  grave ( 1 semana em coma, parada cardíaca, 3 pneumonias, etc.) .

Minha família e eu lutamos muito pela minha vida!!!

Passado o pior, lembro de um dos meus médicos me dizer que eu só sobrevivi graças à minha privilegiada condição física, que a prática do tênis havia me proporcionado.

Um ano e meio após o acidente, lá estava eu fora de risco, mas preso a uma cadeira de rodas. Minhas pernas atrofiaram demais durante o tempo de hospital e as chances de eu voltar a andar eram bem remotas.

Confesso que nunca aceitei  este prognóstico… Apesar de bem debilitado, sem mexer as pernas e o braço direito (era destro), minha vontade de andar e, quem sabe, voltar a jogar tênis eram enormes.

Morava numa casa e todo dia, após a fisioterapia, posicionava minha cadeira na frente da porta da garagem e batia um “paredão”. Tinha que ser com o braço  esquerdo, pois era o que eu conseguia mexer.

Fui ganhando habilidade (agora canhoto): voleava,sacava e batia deixando a bola pingar! Mas, ainda faltava algo essencial e bem mais difícil, que era eu conseguir ficar em pé.

Com muita fisio e enorme vontade de voltar às quadras, isso não demorou muito para acontecer. Uma noite, lembro claramente como se fosse ontem, após terminar mais uma sessão de fisio, pedi  ao Dr. Danilo que me colocasse em pé. Consegui, com extremo esforço, dar perto de 4 ou 5 passos. Foi uma festa!!!

Muito mais importante que os “passinhos”  foi que, a partir desse dia, percebi que conseguiria andar novamente e não tinha mais  dúvida de que voltaria às quadras de tênis!!!

Não foi nada fácil, mas para quem já tinha passado por tanto, faltava só mais um pouquinho! Reaprendi a andar, depois a correr e a jogar com o braço esquerdo.

Lá se foram 40 anos (recomecei a jogar com 15) e nunca mais parei!!! Jogo, atualmente, no Esporte Clube Pinheiros, onde conheci  90% dos amigos que tenho hoje. Disputo torneios de tênis e mini tênis pelo clube que é minha 2ª casa.

Algumas coisas foram essenciais para minha plena recuperação; dentre elas, certamente, o tênis teve papel  fundamental . Obrigado, tênis!!!!

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Bjos

Eduardo Carvalho Magri

55 anos

Até a próxima!

Simone 😊

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