Carta do Rony

DianaRecebi este relato, em um grupo de tenistas, escrito por uma amigo: Rony Setton.  Achei incrível. Resolvi compartilhá-lo com vocês.

” Cerca de dez anos atrás, um médico sentenciou: ou você faz esporte ou vai tomar um monte de remédios para o resto da vida. Bom, achei que era hora de começar a sacudir o esqueleto. Natação nunca foi uma paixão e na academia ficava o tempo todo na esteira pensando sobre os problemas do trabalho,o que deixei de fazer, e por aí afora. Saía mais cansado, ansioso e afobado para resolver as questões.

Verifiquei outros esportes, o que eu podia ou não fazer, e eis que o tênis se apresentou por recomendação do médico, por ser uma atividade lúdica e pela possibilidade de praticar ao ar livre. O clube A Hebraica tem uma escola de tênis e ficava na rua onde eu trabalhava, mas eu nunca tinha dado muita atenção.

Me inscrevi numa aula teste na escola, e ao final, o professor perguntou se tinha gostado e se eu voltaria. Confirmei e voltei no dia marcado. Eis que o professor se surpreendeu, achou que eu não tinha falado seriamente, e confessou que quase chamou a ambulância pois ficou preocupado com meu estado. E eu nem me dei conta!

Comecei a prática e, com o passar dos anos, quis me envolver mais, entrar em pequenos torneios, me apaixonei.

Perco a maioria dos jogos, mas já quero marcar outro!

Um dia desses, descobri que tem uma turma de veteranos que chega cedíssimo no clube e procurei me encaixar. Conversa vai, telefone vem, apresentação, até que um dia me convidaram. Cheguei por último, todos já na quadra. Éramos 8 e completamos duas quadras em jogo de duplas. Foi muito bom! São pessoas alegres, vários ainda trabalham, brincam entre si e brigam entre si. Alguns, abertamente, agradeceram o lindo dia às pessoas que sabem de seus problemas, e o presente de usufruir o momento, o presente da vida!!!! Em determinado momento do meu jogo, meu parceiro solta a voz: corre rapaz! Agora eu tenho 82 anos e não alcanço todas as bolas, mas quando eu tinha 63, como você, ia atrás de todas!!!!
Eis que eu sou o caçula. O mais velho com 91 anos, tinha estado em campo de concentração e estava ali participando, brincando,animando o parceiro.
Com certeza, todos passaram ou passam por problemas, perdas, adversidades. Mas estão na quadra, curtindo, cuidando da sua saúde, cuidando do outro, e discutindo como crianças se a bola saiu ou não.

Saio da quadra com uma vontade enorme de abraçar minha mulher, filho, netos e amigos. Criar momentos mágicos e aproveitá-los!”

Se você gostou deste post faça como Rony. Envie sua história para o Bem Sacado, seja de superação ou de alguma experiência interessante na quadra (contato@bemsacado.com.br).

 

Abraços,

Diana 😜

 

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