O tênis é para todos

DianaJogo Tênis há quase 10 anos, praticamente o mesmo tempo de amizade que  tenho com  Veronica Papaiz. Sabe aquela pessoa que, depois de uma curta convivência, já parece que faz parte da sua vida há séculos? Pois é, foi isso que aconteceu com a gente. Ficamos íntimas desde o início. E nos conhecemos na quadra.

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Em um dia de muito sol, ela se aproximou toda vestida da cabeça aos pés, percebi que tinha a pele bem clara e usava um chapéu bem grande. Pensei: “Nossa, uma gringa no condomínio, deve ser americana”.

No primeiro jogo em que a bola saiu da quadra, ela gritou  “AUTI (out em inglês)”!  com um sotaque carregado do nordeste. Quase morri de rir!  Afinal ela era brasileira.

Começamos a conversar e nunca mais paramos. Hoje, jogo com ela toda semana. Com a intimidade, descobri que aquela pele branca, na verdade, era vitiligo (uma doença autoimune  que se caracteriza pela diminuição de melanina em certas áreas do corpo). Imagino que a infância dela não deve ter sido nada fácil, afinal, sabemos como as crianças tratam as pessoas diferentes. Eu mesma, que sou sardenta, sofri certo bullying: me perguntavam se eu tomava sol de peneira ou se era parente do personagem Ferrugem.

Uma coisa é fato: quem tem alguma doença de pele, quem é muito  branquinha ou sardenta como eu, talvez jamais pensou em jogar tênis ao ar livre se expondo ao sol. Felizmente, hoje em dia existem diversos itens que nos protegem dos raios solares, entre eles, filtros para pele, camisetas  de mangas longas, calças e chapéus, entre outros.

Minha amiga não está nem aí com o que os outros pensam da sua maneira de se vestir para se proteger na quadra.

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E como joga essa mulher!

Ela ficou conhecida por todos porque quase nunca erra, devolve qualquer tipo de bola e tem um forehand matador.

Ela que sempre está com um sorriso no rosto, muito otimista e sempre vendo o lado bom da vida diz: “Não tem quem não sofra com as diferenças visíveis. É preciso quebrar os obstáculos, olhar os menos favorecidos e ver a sorte que temos. Daí dá para virar a página, conseguir contar uma história… E viver sem ter a vergonha de ser feliz”

Essa é minha companheira de quadra da qual tenho muito orgulho . Love U ! 😘

 

 

 

 

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