Perrengue no interior

 

LiaEra 8h30 e o despertador tocava loucamente. Sabe aqueles minutos em que você pensa: “Fui dormir às 3h depois de uma festa deliciosa e, em pleno domingo, estou acordando desse jeito?” A resposta só podia ser uma: por conta do tênis! Só o vício da bolinha amarela me tira da cama a  qualquer hora e feliz.

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Mas esse não foi um dia exatamente feliz. O plano nasceu quando aceitei participar de um torneio de Interclubes em Piracicaba. Nada contra, mas a distância complica a vida de quem tem três filhos e um marido à espera.

“Vamos, vai ser bom, minhas três amigas estão comigo…”. E a ida foi boa mesmo! Boa música, papo sobre homens…. Tudo ia bem divertido até percebermos que estávamos chegando meio em cima da hora e com fome. Achamos o clube, vai dar tempo. Vaga na porta, que tudo!

Ao abrir a porta do carro, fomos derretidas instantaneamente pelo calor do interior de São Paulo. Olhos arregalados, frio na barriga e lá vamos as quatro atrás do almoço pela passarela coberta a 42 graus. Samba, espetinho, esfihas gigantes e pastéis não eram exatamente o menu preferido de quem enfrentaria horas nas quadras. Foi aí que o bicho começou a pegar!

Entreolhamo-nos e decidimos ir em busca de um restaurante. Depois de ficarmos rodando a cidade, descobrimos um italiano delicioso. Cada uma pediu seu spaguetti. O meu era de alho e óleo com brócolis, mas nada entrava no estômago: só consegui comer três garfadas de tão nervosa e atrasada que estava. A Dani também não conseguiu comer nada. Diana e Simone, ao contrário, saboreavam seus pratos gratinados, mesmo a 35min de iniciarmos os jogos. Na saída, as duas ainda pararam para tirar uma foto com um carro antigo dando uma de turistas. Que nervos!

Pegamos o carro e logo estávamos de volta ao clube. Duas partidas de simples em quadras lado a lado. Eu em uma, Dani em outra, enquanto Simone e Diana torciam até saberem se desempatariam em uma partida de duplas.

Primeiro set parecia que eu nem estava lá. Estava tão nervosa, que não conseguia acertar uma bola. Minha adversária fechou o primeiro set de 6×3 muito rápido. No segundo set, me recuperei, fiz 6×6 e quase ganhei. Mas no meio Tie Break veio uma bela câimbra na panturrilha e não conseguia mais correr. Tentei finalizar os pontos com winners para não precisar me movimentar muito, mas não deu certo e ela fechou o jogo. A Dani era minha esperança, tinha ganhado o primeiro set e estava lutando no segundo set com as bolas moles da adversária. Mas quando olhei para a outra quadra, ela chorava de câimbras e estava jogando como um saci correndo em uma perna só. Seria o almoço? O estresse? A desidratação? O nervoso? O calor? Deve ter sido a soma de tudo.

Tie break depois de três horas de jogo e a Dani  acabada sem os movimentos. Para completar o cenário, uma galinha entrou cantando atrás dela na hora do saque. Dupla falta. Já era! Guerreiras, Dani e eu perdemos e nem demos a chance das outras amigas entrarem para o desempate. No carro, voltamos rindo para não chorar desse perrengue no interior.

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Até a próxima aventura 🙂

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